No dia 11 de maio, os servidores municipais de Belo Horizonte (MG) realizaram uma grande assembleia na qual aceitaram a proposta de reajuste salarial apresentada pelo prefeito Marcio Lacerda (PSB – PT – PSDB). A campanha salarial de 2011 foi unificada entre as entidades Sind-Rede (educação), Sindibel (servidores em geral), Sindmed (médicos), Somge (dentistas), as associações de servidores (fiscais e engenheiros) e as centrais sindicais com o destaque para a CSP-Conlutas. Assim a campanha se tornou mais poderosa do que os anos anteriores.
“É a primeira vez, na história de Belo Horizonte, que os servidores públicos municipais começam e terminam uma campanha salarial unidos”. Com esta frase, Célia Lelis, presidente do Sindibel, sintetiza o espírito de unificação da campanha salarial deste ano. A proposta de reajuste da PBH para a categoria consiste em 10% para 2011 e 10% para 2012. Vale ressaltar que o índice, na verdade, é de 20% dividido em 4 vezes, sendo: 3,25% em julho de 2011, 6,75% em novembro 2011, 5% em julho 2012, 5% em novembro de 2012. Para a Educação Infantil, o índice é de 12% em 2011 e 12% em 2012, divididos de forma similar ao dos demais trabalhadores. E o aumento do vale refeição de 10 para 15 reais até novembro deste ano.
Embora esta proposta não contemple boa parte das reivindicações dos servidores, ela consiste em um reajuste maior que a média da região metropolitana. No entanto, este resultado só aconteceu, principalmente, pelo nível de mobilização das categorias envolvidas e pela demonstração de força da greve da educação e saúde do ano passado. Neste ano, durante os meses de campanha unificada, os servidores paralisaram e mobilizaram quatro vezes as escolas, UMEIS (unidade de educação infantil), postos de saúde e administração da prefeitura em toda a cidade mostrando disposição para lutar pelos seus direitos.
Os servidores estão conscientes de que a proposta, apesar de representar uma vitória da campanha unificada, tem problemas. O primeiro deles é político, pois com ela o prefeito tenta congelar a mobilização dos servidores até o fim de seu mandato. O segundo é econômico, a volta da inflação. Sobre o primeiro, os servidores já responderam que não tem nenhum comprometimento com este governo, irão continuar a luta unificada pela previdência, por melhores condições de trabalho e por serviços públicos de qualidade; e esta resposta já engloba o segundo problema, porque a luta para zerar as perdas do governo Lacerda continuará. Esta foi a resposta que Vanessa Portugal do Sind-Rede deu em nome das entidades unificadas.
Portanto, os servidores não vão parar por aqui. As mobilizações para aumentar o poder de compra do salário irão continuar assim como a defesa dos direitos previdenciários, a questão das condições de trabalho e todas as outras reivindicações que ainda não foram atendidas. Para 2012, as entidades dos servidores já se programaram para começar fortalecidos. Irão antecipar a campanha salarial de 2012 para novembro de 2011, porque muitos pontos foram deixados para trás. Desta forma os servidores prometem para o futuro mais unidade e força na luta pela sua valorização e em defesa de serviços públicos de qualidade.
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